O Brasil está se tornando sólido economicamente falando, mas ainda estamos galgando nosso lugar ao sol. Enquanto isso não se torna uma realidade e seguimos sendo o “país do futuro”, nossa moeda, o real, continua sendo o Davi frente aos Golias do primeiro mundo. Assim sendo, moradia fora do país, especialmente na Europa, América do Norte e Oceania, somam um dos principais custos da viagem e dos estudos. Em geral são mais custosos, inclusive, que o próprio curso.
Mas há algumas alternativas bastante interessantes para balizar os valores de moradia estudantil, e a UP! explicará algumas das mais interessantes e seguras.
1)CouchSurfing – Um sofá de cada vez Com 1.467.996 membros, a rede de solidariedade hospitaleira, conhecida como CouchSurfing (CS), propõe uma pequena revolução nas relações entre viajantes e intercambistas. Trata-se de uma rede internacional sem fins lucrativos que vem atuando, através de doações, desde 2004. Presente em 261 países e em cerca de 67 mil cidades ao redor do planeta, a missão da rede é organizar e criar experiências de intercâmbio cultural que sejam divertidas e engajadas.
A ideia é simples: a pessoa se cadastra no site e se dispõe a ceder um sofá, um quarto, uma cama, um colchão, enfim, um lugar para um viajante ficar. A quotização do termo “ficar” no CS é variável, pode durar apenas uma noite, como pode se estender por meses. Tudo depende da relação entre as pessoas: se elas se derem bem, cria-se amizade e cumplicidade. Cintia Mazer, 30, relações públicas e Embaixadora Global do CouchSurfing das América Central e do Sul, explica que, na verdade, o CS é interessante para todos, independente do período que desejam permanecer: “Tanto para os viajantes que passaram pouco tempo em um determinado local quanto para um recém-morador. A troca de cultura e a facilidade de encontrar os membros do site facilita a integração do indivíduo ao meio em que ele se encontra”. Mas a pergunta que fica é: por que abrigar um estranho em sua casa? Cintia responde: “E por que não? A possibilidade de crescer como pessoa e entender um universo diferente do seu proporciona sempre um crescimento imensurável. É a possibilidade de se sentir viajando estando dentro da sua própria casa. Abrigar um couchsurfer é compartilhar da vida dele nos dias que ele estiver contigo, e poder redescobrir a sua própria cidade sob uma nova visão e perspectiva”.
O CouchSurfing não é, necessariamente, gratuito. As pessoas podem requisitar um valor ao hóspede. A diferença é que este valor e a forma como ele será pago é negociável e, normalmente, bastante flexível. Isso porque o objetivo dos membros não é o lucro, ou o marketing de seus serviços, mas o intercâmbio cultural. Sendo assim, em geral, seja por uma pernoite ou por três meses, o CouchSurfing normalmente é muito mais barato e divertido. “O CS é feito de pessoas para pessoas. E o entendimento entre elas é o que promove a tolerância e respeito entre os povos”, resume Cintia.
Dados do CouchSurfing* Número de Línguas Faladas: 1.270 Países Representados: 261 Cidades Representadas: 66.568 mil CouchSurfers: 1.018,147 milhão Amizades Criadas: 1.500,00 milhão (90 mil delas se tornaram grandes amizades) Experiências Positivas: 3.2 milhões (99.6% de todas as experiências) *Dados retirado do site http://couchsurfing.com.br/
2)Hostelling International Este é o nome da rede sem fins lucrativos que conecta mais de noventa Albergues da Juventude, abrangendo 90 países e mais de quatro mil albergues, conhecidos também por sua denominação em inglês, hostels. O Hostelling International (HI) existe há 100 anos e promove hoje cerca de 35 milhões de pernoites ao ano. Sem contar que o setor de hostels é responsável por aproximadamente US$ 1.4 bilhões das receitas relacionadas ao turismo a cada ano no mundo.
Segundo Dorotéia Braz, Diretora Financeira da Federação Brasileira de Albergues da Juventude (FBAJ - hostel.org.br), o HI possui atualmente mais de quatro milhões de membros, “e trata-se de uma maneira prática e divertida de se hospedar”. Dorotéia completa explicando o espírito de estar em um albergue: “Hospedar-se em hostel é estar aberto e ávido pelo intercâmbio cultural, é um lugar para se divertir, trocar informações culturais, para fazer amigos de uma maneira econômica”. Os valores de cada pernoite em um albergue variam bastante de cidade para cidade. A localização e os serviços oferecidos também incidem diretamente na diária, que, entretanto, num hostel com ótimos serviços e em alta temporada, fica por volta de R$35. De acordo com Ramis Bedran, 35, há dez anos conectado ao Hl e atual Diretor de Qualidade da FBAJ, “os albergues funcionam como pousada e os maiores diferenciais são os quartos compartilhados, separados por sexo, área de convivência que fomentam a integração dos hóspedes”.
Ramis acredita que os hostels são mais indicados para pessoas em trânsito, que estejam visitando determinada cidade ou fazendo um curso rápido, de até um mês já que depois de 15 dias o alberguista precisa mudar de hostel, ou negociar sua permanência. “Promover o intercâmbio cultural de jovens de todas as idades e etnias, proporcionando a eles uma maneira mais em conta de conhecer novas cidades, novas culturas, novos países e saber respeitar as peculiaridades de cada local”, esse é o objetivo do Hostelling International, nas palavras de Ramis Bedran.
3)Squats ou Okupas Esta é uma maneira bastante interessante de morar fora, mas nem sempre comodidade e tranquilidade estão incluídas no pacote. Squats, ou Okupas, são ocupações urbanas de imóveis ociosos a fim de converter tal lugar num centro social, ou de convivência. Ou, simplesmente, num lar comunitário. Normalmente os squats possuem um caráter libertário, ou seja, haverá muita gente debatendo muitos assuntos, haverá muitos livros e, provavelmente, barulho. E gente de todas as classes, partes e estilos. Um convite à solidariedade e um exercício de paciência.
Mas vamos com calma. Nem sempre um okupa é um espaço legalizado. Inúmeros deles estão em situação de despejo e outros mais em intermináveis brigas judiciais. Excetuando-se este pequeno grupo de complicações, os squats são, geralmente, locais bastante efervescentes em cultura e diversidade.
Por se tratar de uma ocupação, em geral não há maiores custos, além do mais, os Okupas utilizados também como centros sociais ou comunitários costumam promover eventos para arrecadar dinheiro para as despesas fixas. Apesar disso, é importante colaborar com as gastos da casa e, mais do que em qualquer outro lugar, num squat a divisão de tarefas e rigidez no cumprimento dos acordos verbais são essenciais.
Em países como Espanha, Alemanha, Holanda e Inglaterra os okupas já demarcaram espaço e, excetuando-se os imbróglios jurídicos, são locais seguros e com uma estrutura razoável.
Pedro Fontanelli, paranaense de 30 anos, viveu em Londres por três anos e seis meses e habitou um squat na capital inglesa no ano de 2009: “fui convidado por uma amiga do trabalho para morar num squat que eles tinham aberto em Wood Green, na North Road, uma avenida que circunda Londres. A prefeitura está em processo de duplicação dessa rua e já tinha desapropriado várias casas. Mas ainda existiam muitas ocupadas pelas famílias que não aceitavam o preço pago pelo governo, por isso o processo ainda demoraria anos. A casa em que eu morava fazia parte de um bloco em que todas as casas eram squats”. Pedro conta que o aluguel é um fator que consome grande parte do dinheiro do mês, “uns R$1.500 por um quarto ‘3 por 5’”, sem contar as taxas e contas. Num squat este valor raramente é pago e, quando é, seu total é infinitamente mais baixo. “Existem squats por toda Londres, até no centro é possível achar alguns. Em um prédio a menos de 500 metros do Parlamento existia um espaço enorme onde faziam squat parties [famosas e intensas festas feitas em squats, é posta como uma das responsáveis pelo boom da música eletrônica]. Algumas casas estavam completamente destruídas e era necessário reformá-las inteiramente; já outras eram casas até com mobília”, conta Pedro.
De acordo com o paranaense, “para a lei inglesa é melhor uma casa ocupada do que vazia”, dessa forma, aproveitando o amparo legal, os squats se tornaram uma espécie de movimento não apenas na Inglaterra, mas em grande parte da Europa: “ Os squats eram mal vistos pelos ingleses, eram refúgio de punks, junkies, desempregados, traficantes e ladrões. Mas isso foi mudando, foi se politizando, e agora muita gente de fora que arranja bons empregos, tem laptop, carro e TV de plasma mora em squat para fugir do aluguel. Assim se criou uma cultura de squat, e de squat parties”.
5)Demais Opções – as standards Se você está com planos de seguir para o exterior, seja para um curso longo ou apenas para um breve passeio, e não simpatizou com as opções acima, tenha calma. Ainda há esperança. Essa esperança custa um pouco mais, mas existe. Trata-se das opções padrão, aquelas que estão na lista de todos os intercambistas e estudantes em viagens pelo mundo. Vamos a elas:
6)Casa de Família: normalmente o contato é feito através de uma empresa, ou instituição como o Rotary e o Lions. Trata-se de uma opção razoavelmente barata, pois, em geral, a estada inclui todas as refeições diárias. Outro ponto positivo é o contato com uma família, com os costumes familiares locais, além do respaldo e da segurança. A parte complicada é que a casa pode ficar a quilômetros do seu curso e nem sempre as regras da família são as mais flexíveis.
7)Hotéis: este item inclui kitnets (studios) e flats e é uma péssima ideia se você tiver alguma intenção de economizar seus caraminguás. É a opção mais custosa, mas também a mais cômoda. Os preços são variáveis, mas lembre-se que eles só variam pra cima.
8)Campus Universitário: ideal para quem fará algum curso em uma universidade, claro. Esta opção tem muitos pontos positivos. Entre os principais está o fato de você não gastar um tostão furado com transporte. Além do mais, refeições e entretenimento dentro das cidades universitárias são sempre infinitamente mais baratos. Muitas vezes, pode haver taxas como um aluguel para permanecer no campus. Entretanto, a priori, as economias compensam. A parte complicada, para quem quer comodidade, é que os quartos geralmente são compartilhados. Outro detalhe é que nos campus menos abastados os banheiros podem ser coletivos.
9)Residência Estudantil: aqui a comodidade também não é prioridade. A economia vem na frente. A parte boa é conviver com várias pessoas, trocar experiências e construir grandes amizades. A parte chata é que normalmente é proibido para menores de 18 e para maiores de 25. Proibido para menores de 18, pois podem rolar coisas obscuras em lugares cheios de hormônios e curiosidade. E proibido para maiores de 25, pois depois dessa idade ninguém tem muita paciência para descobrir e aguentar estas tais coisas obscuras.
10)Apartamento Estudantil: é comum estudantes locarem quartos de seus apartamentos para estrangeiros. Normalmente entre os objetivos da preferência por estrangeiros é o intercâmbio cultural e a possibilidade de treinar alguma língua. Os valores, comparativamente, não são exorbitantes, mas aluguel é sempre aluguel. A parte boa, neste caso, é justamente a comodidade. [ < Voltar ]
De estéticas esquizofrênicas, de textos sem pimenta, sossegadinhos, e narrativas loucas, doidas, insanas, marotas como as curvas da garota da página 46. E você passando os olhos no meio dessa patacoada toda, capturando o que parece convidativo ao fosfato que queima forte, rápido, na fagulha dessas sinapses. Por isso, nessa 23, aperte com gosto o gatilho pra sentir a chama arder nas histórias escondidas logo atrás dessas páginas. Na edição da UP! que você tem em mãos, ampla como um almanaque, não basta buscar costuras entre os temas, eles pouco se conectam. Esta, defi nitivamente, é uma edição fragmentada. E assim, toda internamente autônoma e saidinha, traz temas importantes.
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