Uma suave brisa parece refrescar o setor econômico. Ondas de dados positivos, timidamente, começam a surgir. Quem costuma tomar ‘Café com o Presidente’ – ou ouvir o programa de rádio com o mesmo nome produzido pela Rádiobras –, sabe quais são as expectativas de Luiz Inácio Lula da Silva: fazer a economia crescer em 5% no próximo ano. No desjejum de 26 de outubro desse ano, Lula citou o estudo do Banco Mundial que prevê o Brasil como a quinta economia do mundo em 2016...se continuar crescendo, claro!
Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em setembro, o país gerou 252.617 empregos com carteira assinada, 0,77% a mais do que em agosto. Pesquisa recente feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) endossa e revela que o desemprego caiu para 7,7% em setembro, menor índice desde dezembro de 2008. O setor de financiamento de imóveis também alavancou. As informações vindas da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) apontam que o volume de financiamentos contratados em setembro corresponde à alta de 13,3% ante o registrado do mês anterior. O valor médio de cada financiamento é de R$ 120 mil por unidade, superior em quase 20% à média do ano passado.
Todos os setores indicam a retomada dos índices que antecederam a crise, e anunciam tempos de crescimento econômico. Talvez essa seja uma das poucas vezes que a expectativa sobre o futuro do Brasil apresente uma carga tão positiva. São muitas as pesquisas, milhares de dados quantitativos e qualificativos, números infinitos que tentam tornar mais palpável o desenvolvimento tão esperado.
“Onde há espaço, há tempo e há futuro. E quem vive neste país ouve o sussurro forte das asas céleres do futuro.” - Stefan Zweig)
Muitos são os estrangeiros que enxergam algo de mágico e promissor brotando do fértil solo de possibilidades brasileiras. De todos eles, o escritor austríaco Stefan Zweig destaca-se. A frase acima consta no primeiro capítulo do livro deste autor, Brasil, um país do futuro. O título, uma expressão que ainda hoje acompanha as reflexões sobre o país, ora ganha tom irônico ora traveste-se de esperança genuína.
Zweig era um homem abatido pela Guerra que devastava a Europa. Perdeu a sua pátria quando a Áustria foi anexada à Alemanha nazista, em 1938. Em terras tupiniquins tentou se naturalizar, mas optou pelo passaporte britânico.
O fascínio com o Brasil começou em 1936, quando, a caminho de Buenos Aires passou dez dias aqui e foi recebido e celebrado com todas as honrarias, inclusive pelo presidente Vargas. Em 1940 decide escrever o livro, ainda sem nome. No mesmo ano teve medo ao ver o império de autoritarismo e intolerância de Hitler varrer a Europa, veio ao Brasil e passou cinco meses pesquisando para o seu livro. Em 1941, houve o lançamento em português, inglês, alemão, sueco, espanhol e francês. No mesmo ano o escritor mudou-se de vez para o “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” e adquiriu um bangalô em Petrópolis – RJ.
O que encantou Zweig? Uma ilusão, ou a imagem que o governo e o próprio povo venderam de si. Para ele, o Brasil era luz e esperança em tempos de uma Europa sombria. Na introdução do livro, Brasil, um país do futuro diz: “Em termos culturais, o Brasil é, até hoje, a mesma terra incógnita que, no sentido geográfico, foi para os primeiros navegantes. Volta e meia me surpreendo com os conceitos confusos e insuficientes que mesmo pessoas eruditas e politicamente interessadas têm acerca desse país o qual, no entanto, indubitavelmente está fadado a ser um dos fatores mais importantes do desenvolvimento futuro do nosso mundo (...). Impossível ter uma visão completa de um país que ainda nem consegue se perceber como conjunto, além de se estar em meio a um processo tão intempestivo de crescimento que qualquer relatório e qualquer estatística já estarão ultrapassados antes que a informação se torne escrita e que esta escrita, por sua vez, vire palavra impressa. (...)O Brasil foi a única entre as nações ibéricas que jamais conheceu perseguições religiosas sangrentas, nunca viu arder as fogueiras da Inquisição, em nenhum outro país os escravos foram tratados de forma relativamente mais humanitária. Mesmo suas revoltas internas e mudanças de governo se efetuaram praticamente sem derramamento de sangue. O rei e os dois imperadores que a vontade do Brasil de se tornar independente fez deixar o país retiraram-se sem serem importunados, sem ódio. Desde a independência, mesmo os líderes de revoltas e levantes fracassados não tiveram de pagar o preço com a vida. Os governantes deste povo sempre se viram inconscientemente forçados a se adaptar a esse espírito de conciliação.”
O autor judeu que viu suas obras virando fumaça preta que some no ar em uma queima de livros, originada por nazistas em Salzburgo, encantou-se com a (falsa) democracia racial e aparente tolerância, dois fatores inexistentes na Europa daquele tempo. Foi aos poucos perdendo a fé na humanidade. Estava deprimido. Seu estado emocional piorou após receber duras críticas que o acusam de ter escrito o livro sob encomenda da ditadura instalada no governo brasileiro.
Desgostoso com a situação mundial e com o resultado causado por seu livro, o autor presta uma última e fúnebre homenagem ao País do futuro. Em 1942, em Petrópolis, suicida-se com a mulher sendo enterrado no cemitério da cidade.
Zweig olhava o Brasil com o entusiasmo de quem vê a eminência de algo que, inevitavelmente, aconteceria, o desenvolvimento.
'O problema dos nossos tempos é que o futuro já não é o que era.' (Paul Valéry) Não há dúvidas que o Brasil vem reconstruindo sua importância na geografia mundial. Para o economista e coordenador do curso da pós-graduação de Economia e Sociedade do Rio de Janeiro da UFRJ, René Louis de Carvalho, isso não ocorre apenas “pelo potencial de produção de produtos intensivos em recursos naturais, mas também pela importância relativa do mercado interno, a posição estratégica na América Latina e a força e diversidade da produção industrial”, explica.
Recentemente, o país mostrou que sua expressividade não abrange apenas a América Latina. Com alguns esforços e o vídeo dirigido por Fernando Meirelles conseguiu-se trazer eventos disputados mundialmente para cá. Vide Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016. O yes, we can! brazuca ecoou nos quatro cantos do mundo e o Rio de Janeiro viveu um dia de carnaval fora de época. A imagem do helicóptero da polícia em chamas rasgando o céu da cidade-sede também percorreu o planeta causando espanto e preocupações.
Para o professor e coordenador do curso de Política e Relações Internacionais da FESP-SP, Flávio Oliveira, foi até benéfico que esse surto fora dos padrões cotidianos tenha ocorrido justamente agora. “Ele já demonstra que os vários níveis de governo deverão desenhar uma série de políticas públicas de modo a atender as populações marginalizadas, combater a corrupção em alguns órgãos estatais e combater a criminalidade. Por hora, fica a retórica propagandística da ‘guerra do tráfico’. Mas, quando a poeira baixar, os governos serão obrigados a tomar medidas reais de modo a sanar as suas fragilidades no enfrentamento destes problemas”, elucida.
Alguns setores da sociedade já manifestaram receio em relação ao legado das Olimpíadas, e temem que este fique limitado a mudanças infraestruturais nos transportes e na hotelaria. Seria excelente (ou utópico?) ter algo a mais do que isso. O difícil é crer que a vida nas cerca de mil favelas que fazem parte da paisagem da cidade mude graças à Olimpíada.
Quais são as reais vantagens da realização de um evento como esse em solo nacional? A injeção de dinheiro, o aquecimento do setor do turismo, a visibilidade que trará ao país e a consolidação de uma nova imagem internacional, as transformações físicas na cidade que podem beneficiar os moradores ao final dos jogos. “Resta saber se haverá uma divisão desses benefícios de modo a trazer melhorias para a maioria da população, e não apenas para alguns membros das elites nacionais’, contrapõe Oliveira.
'O melhor profeta do mundo é o passado.' (Lord Byron) Recentemente, o presidente Lula autorizou uma linha de crédito de R$ 4,8 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o financiamento das construções e reformas dos 12 estádios que receberão os jogos da Copa do Mundo de 2014. Esses mesmos estádios, melhorados, também serão utilizados em 2016. Por conta da crise, o dinheiro público terá que ser usado, já que os recursos da iniciativa privada, que deveria cuidar dos estádios para a Copa de 2014, não foram suficientes.
O evento olímpico no Rio de Janeiro tem um orçamento que ultrapassa os R$ 26 bilhões, valor muito superior aos R$ 3,5 bilhões gastos com o Pan Rio 2007. Em junho deste ano, o TCU – Tribunal de Contas da União – confirmou um superfaturamento nas contratações no serviço de hotelaria do Pan. O total a mais foi de R$ 2,7 milhões. Dos 22 itens pagos com o dinheiro dos cofres públicos, 17 foram superfaturados. “É uma pena. Esse dinheiro gasto a mais poderia ter sido investido em esporte e educação”, lamenta o nadador Thiago Pereira, que levou seis medalhas de ouro na competição.
O Pan começou com vaias ao presidente. Foram alguns momentos de saia-justa. Nos esportes obteve o melhor resultado de todos os tempos, foram 161 medalhas. “O Pan me surpreendeu bastante, a partir desse evento eu comecei a acreditar na condição de o Brasil ser sede de uma Olimpíada”, comenta Pereira, que se anima ao pensar em encerrar sua carreira em uma Olimpíada, na terra natal, já que é natural de Volta Redonda-RJ.
Em se tratando de benefícios sociais, o Pan ficou zerado de prêmios. Parecia que algo proveitoso ocorreria na Vila Olímpica, mas a função promissora de servir à comunidade, rapidamente foi esquecida. Como brinquedo caro que perdeu a graça. A prefeitura do Rio de Janeiro, criança que só, deixou a Vila Olímpica, que deveria ser usufruída pela comunidade, abandonada, sem manutenção ou novos investimentos. “Sem um planejamento de como essa estrutura pode beneficiar o país, a cidade e aqueles que iriam usufruir desse espaço, ela acaba se tornando inútil”, opina Diogo Silva, atleta de taekwondo que trouxe o primeiro ouro brasileiro, sobre o não cumprimento da promessa feita no Pan de que esses espaços seriam usados por jovens de comunidades próximas.
Essa não foi a única meta social que a cidade deixou de cumprir. O decreto com 43 metas para 2007 e 2012 surgiu em 2004, editado pelo ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Destas, ao menos 23 não foram atingidas. O documento previa objetivos como a redução da taxa de mortalidade infantil, gravidez na adolescência, a ampliação do atendimento de crianças na pré-escola, a adesão da comunidade em programas do governo municipal, como o 'Homens Jovens e Saúde' e 'Ruas da Saúde', que em 2007, nem ao menos haviam sido implantados.
O receio de um revival do Pan nas Olimpíadas, no que diz respeito ao subtraído legado social e ao superfaturamento do evento, já fez a atual administração carioca, de Eduardo Paes (PMDB) se mexer. Em outubro, a prefeitura lançou o site “Transparência Olímpica” (www.transparenciaolimpica.com.br), que permite o monitoramento dos projetos e terá atualizações sobre os gastos com os Jogos. O Governo Federal pretende também lançar em 2010 dois projetos para auxílio e capacitação de atletas, o “Cidade Olímpica”, que contemplará 100 municípios com o valor de R$ 300 mil, e o “Atleta Ouro”, que concederá R$ 380 mil por mês para 80 esportistas de alto rendimento.
A promessa da vez é que o COT (Centro Olímpico de Treinamento) após a Olimpíada seja utilizado para a capacitação de atletas brasileiros e intercâmbio técnico com esportistas de outros países. Agora não basta torcer, é preciso ficar de olho também. O romantismo de ser sede de um evento mundial talvez tenha ficado no Pan. O massagear de ego da população carioca, quem sabe, não seja suficiente para satisfazer todos os anseios de uma sede-olímpica. “O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse, em Copenhagen, que o legado que a cidade deixará para o povo é a autoestima. Espero que seja muito mais do que isso, porque autoestima não vai recompensar séculos de descaso, violência e declive da sociedade. Os jogos olímpicos podem ser o primeiro passo do Brasil para uma grande evolução”, comenta Diogo Silva.
'O futuro sempre está começando agora.' (Mark Strand) A maior empresa do Brasil, a Petrobras, anuncia forte crescimento com a exploração do pré-sal. Espera-se que o país transborde petrodólares e que isso (por favor!) de algum jeito afete positivamente a população. O petróleo do pré-sal reafirma o lugar da economia brasileira diante do cenário internacional. “O Brasil poderá se tornar um grande produtor sem ter que arcar com a chamada ‘maldição do petróleo’, pois possui uma economia diversificada, e não ficará dependente de um único produto, como é o caso da Venezuela ou da Arábia Saudita”, exemplifica o coordenador da pós-graduação da FESP-SP. Ainda sem o pré-sal, a empresa já bate recordes de produção. Neste ano, pela primeira vez na história da companhia, bateu-se a média de dois milhões de barris/dia.
A expectativa é grande. Espera-se que dados reais positivos conseguidos pelo pré-sal não se dissolvam no cotidiano dos cidadãos. Para o economista René Luis de Carvalho, da UFRJ, esta é a verdadeira questão. “A discussão é sobre a apropriação e utilização da renda do petróleo – a grande diferença entre seu preço no mercado e seu custo de produção e a partilha da renda entre setor privado e setor público, e a forma de uso da parcela pública: pode ajudar no fortalecimento dos setores intensivos em tecnologia e melhoria das condições de vida da população – principalmente educação e saúde,” explica o também professor sobre o que seria ideal.
O quadro de fatores positivos e negativos traz uma perspectiva de futuro melhor, como a de habitarmos uma das mais sólidas economias do mundo daqui a uma década.
'Nem o passado existe nem o futuro. Tudo é presente.' (Gonzalo Torrente Ballester) A economia brasileira está se solidificando e cria, a todo o momento, raízes estáveis. Porém, para Carvalho, o horizonte próximo, de uma década, é pouco para tornar o país em um dos mais consistentes economicamente. “A transformação do Brasil num país mais justo e o desenvolvimento de pesquisa e empreendimentos intensivos em tecnologia são a base para assegurar um crescimento sustentável da economia”, afirma Carvalho ao alegar ser esta uma conquista expressiva demais para um curto espaço de tempo. Além disso, para o economista, o país ainda carrega o 'carma' da desigualdade social e do descaso das sucessivas autoridades públicas, problemas sem solução imediata.
Correr contra o tempo não é o principal desafio. Será mais do que necessário ampliar “a nossa capacidade de incorporar a população ao desenvolvimento econômico, de realizar inovação tecnológica e, finalmente, essa conquista dependerá dos rumos que a própria economia mundial irá tomar na próxima década”, expõe o coordenador do curso de Economia e R.I. da FESP-SP, Flávio Oliveira.
Possivelmente, o trabalhador que teve o reajuste salarial diminuído, ou que perdeu o emprego por conta da crise, tenha sido o mais prejudicado nesse cenário. Pode-se separar a crise em dois momentos, o primeiro foi o da marolinha, quando ainda não havia o problema dos bancos, e o segundo quando o banco americano Lehman Brothers quebrou, em setembro de 2008. O medo do que estava por vir fez todo o dinheiro sumir do mercado. As empresas começaram a pedir empréstimos na Caixa Econômica Federal para não quebrar. O pé no freio reduziu os investimentos, gerou desemprego e fez o crescimento da economia cair de 5% ao ano para 1% em 2009.
Mesmo assim, tem-se a vontade de propagar um Brasil em progresso constante. Pelo menos, é o que a onda de dados positivos deixa a entender e a marolinha da crise parece ter deixado a praia do país, mas, mesmo assim, o abismo entre a economia em ascensão e o lado social é profundo. Fica difícil ver avanço quando ostentamos por décadas seguidas o troféu de estarmos entre os dez países mais desiguais do mundo.
Na enxurrada de números, cálculos, análises e decimais, um, em especial, é o retrato da maioria dos 190 milhões de habitantes do país, o quesito de desenvolvimento humano que permanece ancorado no 75º lugar do ranking mundial da ONU. É verdade que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro vem melhorando sistematicamente, inclusive passando para a qualificação elevada em 2005, quando o IDH de um país está entre 0,800 e 1.
ANO |
IDH BRASILEIRO |
1980 |
0.685 |
1985 |
0,700 |
1990 |
0,723 |
1995 |
0.753 |
2000 |
0.789 |
2005 |
0.800 |
2006 |
0.807 |
2009 |
0.813 |
Entenda o Índice de Desenvolvimento Humano. O IDH pode alterar de 0 a 1. É composto por três índices: a renda (considera o Produto Interno Bruto (PIB) per capita), a longevidade (expectativa de vida) e a educação - que considera a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais de idade, a taxa de matrícula bruta nos três níveis de ensino e a relação entre a população em idade escolar e o número de pessoas matriculadas no ensino fundamental, médio e superior.
“De um ponto de vista mais geral, temos uma melhoria dos indicadores sociais nos períodos de crescimento econômico, mas sem alteração de fundo na desigualdade econômica – de acesso à terra, à educação, ao trabalho formal – e acesso a serviços básicos”, comenta René Louis de Carvalho sobre o contraste dos indicadores econômicos com o nosso pífio IDH.
No Índice de Pobreza Humana (IPH), um derivado do IDH calculado apenas para países em desenvolvimento (135, ao todo), o Brasil surge na 43ª posição pouco pior que o Uzbequistão (42º), e melhor do que o Suriname (25º). Esse indicador avalia a carência em três aspectos: a curta duração da vida, a falta de educação básica e a falta de acesso a recursos públicos e privados, como serviço de água potável, esgoto, entre outros.
Há também o Índice de Desenvolvimento Ajustado ao Gênero (IDG), que considera as dimensões do IDH, mas acrescenta as desigualdades entre homens e mulheres. No ranking com 155 países, o Brasil ficou na 63º posição. A Austrália lidera e a última colocação ficou com o Níger.
As políticas sociais assistencialistas do governo trazem sim algum resultado. “Todavia, o país precisará desenvolver ações no sentido de incorporar essas massas pobres no desenvolvimento econômico, através de educação, treinamento laboral, saúde, etc.”, aconselha Flávio Oliveira, que complementa: “O IDH muito provavelmente ainda irá crescer vagarosamente no futuro próximo, mas sempre há a expectativa de vermos esse avanço se acelerar com o passar do tempo.”
Mais 70 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, com menos de dois dólares por dia. É difícil imaginar que alguém (que tal 70 milhões!) consegue viver por um dia com menos do que gastamos para pegar um ônibus e um metrô. Carvalho comenta que estamos chegando ao limite da inclusão social via políticas públicas. “A melhor divisão dos frutos do crescimento – acesso à saúde e educação de qualidade e diminuição das desigualdades – são condições indispensáveis da melhoria dos indicadores sociais. Ou seja, é necessário transformar efetivamente crescimento em desenvolvimento”, finaliza. Por enquanto, a brisa que refresca o setor econômico brasileiro precisa ultrapassar muitas paredes de concreto para conseguir chegar a todos os brasileiros. Sem se dissipar!
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